Cidade Responsável
Mercado Cervejeiro

Paulo Petroni comenta sobre a ineficiência das das estruturas públicas e os altos patamares de carga tributária


Olá, como estão as coisas?
Nossas saudações cotidianas tem levado muita gente nos últimos tempos a parar para pensar antes de responder quase que automaticamente. Por mais otimistas que somos o momento nos leva a reflexão.

Por anos a fio, governo após governo, o tamanho e o escopo da administração pública tem aumentado. Aliada à ineficiência de suas estruturas, fazem com que os custos pagos por nós cidadãos atinjam os atuais patamares insuportáveis de carga tributária. Se ainda compararmos estes valores com o retorno em melhoria da qualidade de vida da população, as "coisas" não vão nada bem.

A dimensão gigante e de baixa eficiência o qual Estado Brasileiro se encontra tem que ser sustentado pela economia de mercado, que investe, emprega e produz. Elevar continuamente os impostos como forma de cobrir os crescentes custos e ineficiências das "coisas do estado" afeta diretamente quem produz as "coisas do mercado". E esta equação está se esgotando.

Toma-se por exemplo o caso das bebidas frias, cervejas e refrigerantes. Em média tem em seu custo final cerca de 60% de impostos. Um valor elevado em especial levando-se em conta que este setor representa cerca de 3% do PIB brasileiro e para cada emprego na fábrica gera outros 54 na cadeia de produção, distribuição e comercialização. É um setor altamente indutor da economia com o produto distribuído por mais de 1,2 milhão de pontos de venda, a grande maioria de micro empresas familiares. Ao aumentar a tributação do produto como solução para cobrir os déficits fiscais há como consequência imediata um forte impacto nos volumes comercializados. E o invés de solução, na verdade, se amplia em muito o problema, pois gera menor geração de tributos totais, desemprego e desinvestimentos. Além disto, infelizmente, acarreta indiretamente um aumento da ilegalidade, da informalidade e mesmo da criminalidade, com todos os consequentes malefícios para a sociedade.

O caminho do desenvolvimento social e econômico necessariamente passa por escolhas corretas e consequentes da sociedade sobre o tamanho e eficiência do Estado.

A economia do mercado deve ter tamanho e sustentabilidade econômica suficiente para poder fornecer os recursos necessários, via impostos, para o Estado desempenhar de forma eficiente o seu papel esperado.Ao não fazê-lo o Estado assume sua face mais perversa: a de colocar o ônus de sua inoperância nas costas da sociedade que investe, emprega e produz.

* diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil)







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